Capitulo 60

14/02/2011 19:05

Eu estava enorme. Não tão gorda quanto esperava, mas minha barriga estava MUITO grande. Do sétimo pro oitavo mês ela cresceu horrores e me dificultou a respiração e o sono. Aí foi que eu entendi o porque das grávidas reclamarem tanto dos últimos meses. Você fica sufocada. Literalmente. Meu médico teve que fazer alguns exercícios para me ajudar a respirar melhor, porque eu sempre tive uma dificuldade. E mais uma vez fui pega de surpresa: Daniel me entendia. Quando eu estava irritada, ele se irritava. Quando eu estava ansiosa, ele ficava inquieto. Quando eu ouvia músicas calmas, ou de bebê mesmo, eu sentia ele se acalmando. Ele gostava de Barney, mas odiava Backardguns. Quando ele ouvia a voz de Zac, ele se agiatava. E quando sentia seu toque, parecia querer pegar sua mão. Ele gostava de Jane, e amava ouvir a voz de John. Quando chegava perto das 9h, ele ficava chato, e só se acalmava quando eu alisava a barriga. A cada dia que se passava eu queria mais tê-lo em meus braços e aquela espera toda me deixava muito ansiosa.

-Amor, vem afastar a cama aqui. -Ele veio correndo, porque sabia o quanto eu tinha ficado impaciente nos últimos meses. 
-Não precisa, amor. 
-Mas e tua mãe vai dormir onde, pelo amor de Deus? 
-Ashley vai dormir aqui com Scott. Vai ser a mesma coisa dos Hoteis.. 
-E é, é? 
-É, meu amor. Não se preocupe. Eu já resolvi tudo -Ele sorriu e me beijou. 
-Que marido desenrolado que eu tenho, meu Deus. -Apertei a bochecha dele. Ele riu. -Agora... temos que conversar uma coisa séria. 
-O que? 
-Sobre sua mãe. 
-Ih, lá vem... -Ele revirou os olhos. 
-Se você não se importa pelo fato de ela ser sua mãe, se importe pelo fato de ela ser avó do seu filho. Eu quero que ela crie algum vínculo com Daniel, amor. Afinal, ela vai fazer parte da vida dele querendo ou não. 
-Vai nada, é só ela ficar em Londres e tá tudo certo. 
-E você acha que ele não vai perguntar por ela daqui há algum tempo não? Dããã. Não quero ele com traumas, que coisa. 
-Eu vou tratá-la bem, prometo ok? 
-Não é tratá-la bem. É dar espaço pra ela. Eu já perdoei ela, devia fazer o mesmo. 
-Tratar bem, eu trato. Dar espaço, eu dou. Mas perdoar? Perdoar é muito, Vanessa. 
-Não, não é. Quantas vezes ela te perdoou antes? Hãm?
-Eu nunca chamei o marido dela de gigolô 
-Mas ela te perdoou por ter mentido, por ter bebido com 13 anos e por ter quebrado o quadro da mãe dela.
-Eu não consigo, ok? 
-Tudo bem, eu sei que não é de uma hora pra outra. Apenas dê uma chance à ela. Tenho certeza que ela vai estar mais mansinha agora... Ela vai ganhar o primeiro neto. Seja filho de quem for, é o primeiro neto. -Eu sorri pra ele e segurei seu rosto. 
-Minha mãe é surpeendente, amor. Eu espero tudo dela, exatamente... -O interrompi, beijando-o

Ele se deixou levar pelo meu "mudando de assunto". Depois ficamos apenas arrumando poucas coisas da casa, esperando enquanto o pessoal todo vinha nos visitar. Enquanto ele discutia alguma coisa com um fornecedor no celular na sala, fui para o quarto de Daniel. Era lindo. O berço de madeira clara combinava com os tons claros de azul que usamos nos lençois e travesseiro. Zac dizia que aquele quarto era de ouro, porque gastamos muito, muito mesmo. Parede azul clara, com crianças brincando de pipa e de balanço. No teto, na verdade na luminária, estrelas rodopiavam com o vento. Na prateleira acima do fraldário existiam bonecos de pano e alguns brinquedos que alguns nos deram. Mas o que mais me encatava, por incrível que pareça, era a cadeira de balanço. Toda vez que a olhava me imagina enfim com Daniel nos braços. Eu estava cansada de o ver só pelo motitor da ultrassonografia. Queria tocá-lo, vê-lo sorrir, dar banho, trocar fralda. Aaaaaaaah, esperar é horrível. A pior coisa do mundo, hm. 

-O pessoal tá aí na portaria -Zac interrompeu minha nostalgia
-Vou trocar de roupa -Ele percebeu meu abuso
-O que foi? 
-Eu quero que ele nasça logo. Não aguento mais essa espera toda. Tô contando quase as horas, sério. Porque.. eu sempre me perco nos minutos -Ele riu, me abraçou e tirou minha franja do rosto. 
-Relaxe, só falta uma semana. Quem já esperou 8 meses, espera só mais uma semana né? -Ele sorriu. 
-Começo a duvidar dessa afirmação -Eu brinquei e nos beijamos. 

A campainha começou a tocar loucamente, e dessa vez disputavam quem iria entrar primeiro. Zac abriu a porta já rindo e Ash entrou falando no telefone, Serena não veio.

-Mary, não deixe ela comer o chocolate todou, ouviu? -Ela fez uma pausa. -É pra a semana inteira esse, ouviu né? Por que eu só vou voltar quando o meu afilhado nascer, então OLHO NELA. -Ela fez mais uma pausa e desligou. Abriu aquele sorriso tão reconfortante e me abraçou forte. -Como está o baby? 
-É incrível como agora todo mundo só pergunta se o Dan tá bem, eu me lasco e ninguém tá nem aí, né?
-As pessoas ligam para o que é importante. -Starla soltou e Zac mordeu o lábio segurando o que quer que seja que ele queria falar. 
-Hm... -Eu disse o encarando. -Quem quer ver o quarto do bebê? -Dei um sorriso simpático.

Minha mãe não ficou com um humor bom pro lado de Starla, mas não falou nada. Starla nos acompanhou e me deu umas dicas, e elogiou o bom gosto normalmente. Pelo o que parecia ela continuava chata, mas só comigo. Então teria que aproveitar enquanto Daniel e eu éramos a "mesma pessoa".

-Zac saiu? -Ela me interrompeu enquanto eu estava falando sobre as cores do quarto. 
-Não, deve estar lá no quarto com Scott
-Licença. -Ela se retirou sem mais palavras. Deixei pra lá. 
-Mãe, Ash vocês podem ir arrumando o almoço? -Joguei a indireta e elas prontamente atenderam. 

Quando nós três saíamos do quarto de Daniel, vimos Scott saindo do meu quarto e fechando a porta. A conversa ia ser um tanto dura por alí. Na porta do quarto de Daniel fiquei conversando com ele, e alisando minha barriga, para aliviar a ansiedade pra ele não chutar muito. Não demorou muito para começarem os gritos, então eu entrei com a cara mais deslavada do mundo, fingindo-me sonsa. 

-Pode nos dar licença por favor? -Starla jogou grossa. 
-O quarto é dela, cale a boca. -Zac disse irritado. 
-Só vim pegar o meu celular, Starla. -Olhei fixamente para Zac como se dissesse "manere".

Peguei o celular e saí sem falar nada. Fiquei atrás da porta, tentando ouvir o que eles diziam que ficava mais nítido a cada tom a mais de voz. 

-Eu preferia que você não tivesse vindo, seria mais agradável -Zac disse. 
-É o meu neto, apesar de tudo -Ela disse
-Por mim ele nunca saberá que tem uma avó dissimulada, mal educada, chantagista, grossa e sem coração! 
-Olhe como você fala comido, Zachary! -Ele odiava que chamassem o nome todo dele. 
-Isso não é argumento. Tenha essa discursão como encerrada e de preferência não volte à New York -Ele tentou colocar um ponto
-Você é meu filho e VAI me escutar. Calado e sem falar nenhuma palavra a mais. -Sem resposta da parte dele. -Eu sou sua mãe, e como sua esposa deve muito bem saber quando agente se apega há um filho agente faz de tudo por ele. Melhor escola, melhores amizades, melhores namoradas, melhor emprego, melhor esposa, melhores filhos. Eu dei o meu sangue para que você tivesse tudo isso e mais um pouco. Investi em você, tanto em sua formação acadêmica quanto no seu caráter, e veja o que você se tornou. Se você é o homem que é hoje, você deve a MIM. David foi um bom pai, mas não no quesito disciplina. Você sabe do que eu estou falando. -Ainda o silêncio. -Tudo o que eu tenho hoje eu devo primeiramente a você, porque você que me fez correr atrás. Por isso tudo o que eu tenho é seu, se é que você me entende. -Eu não acreditei que ela ia chantageá-lo com um testamento. -E já que foi algo que eu construí, eu queria que você usasse com uma pessoa que merecesse. Com uma pessoa tão íntegra quanto você, tão boa quanto você. Ou você acha que ela não sabe o quanto que eu tenho no banco? Ah, faça-me rir. -Ela riu e parou. 
-Ela sabe tanto o quanto você tem no banco, que quando você ofereceu o dinheiro que ela quisesse pra não se casar comigo, ela disse não. Ela é bem melhor que você, porque apesar de ter errado, e ter errado feio. Apesar de ter todos os motivos para acabar como garçonete de bar de beira de estrada, ela correu atrás. Diferente de mim, ela conseguiu um emprego antes de acabar a faculdade, e um estágio logo de cara, porque ela não tinha dinheiro pra pagar a London. Ela foi atrás e fez acontecer. Quando ela me traiu, em vez de se vingar, me chantagear ou qualquer coisa do tipo, ela esperou e nós reconstruimos nossa relação juntos. Sabe por que mãe? Porque ela me ama. Apesar de todos os erros, ela me ama. E essa traição só me fez ter mais certeza disso. Porque Chace tem uma vida muito mais "fácil" do que a minha, e sinceramente ela poderia nem ter voltado. Mas ela reconheceu que estava errada, ela soube assumir as consequencias. Isso me provou que por mais errada que ela estivesse, ela estaria sempre pronta pra colar os pedaços de tudo, e só faz isso quem ama. Porquem quem ama nunca desiste. -Dessa vez houve o silêncio dela. -A Betty, tá grávida de outro. Em menos de um mês depois que eu tinha me afastado dela. Eu não ia querer uma mulher dessas pra mim. E além do mais, isso nem tem nada haver com a senhora, mas, o jeito que ela sorri pra mim é totalmente diferente. O jeito que ela muda os planos por mim, é mais diferente ainda, porque o Daniel não foi porque ela sonhou desde criança em ser mãe, foi porque ela abdicou de toda a vida despreocupada dos sonhos dela, por mim. Eu não preciso de mais nada pra ser feliz. Nem do seu dinheiro, nem do seu nome, nem da sua aprovação. 

Um silêncio muito grande perdurou. Alguns sussurros se sucederam, mas eu não pude distinguir as palavras, se é que eram palavras. Quando dei conta, estava chorando e rindo ao mesmo tempo. Tudo bem que era muito feio ouvir conversa atrás da porta, mas aquelas palavras e principalmente as que vem a seguir, mudaram uma área da minha vida completamente. 

-Não sabia que ela havia feito tudo isso, nem que te amava tanto assim. -Foi a primeira vez que vi Starla entender que eu o amava. 
-Você não pode nunca saber de tudo. -Percebi que a voz dele era mais fraca do que a dela, então acho que ele falou isso. 
-Me perdoe por atrapalhar sua vida assim, principalmente em um momento como este. 
-Peça perdão à ela. 
-Irei. Então... -Ela fez uma pausa. -Ainda posso te visitar de vez em quando? Sem mágoas? Sem ressentimento? -Esperei ansiosamente uma confirmação. 
-Pode, dona Starla. -O tom dele me fez perceber que ele sorria. -E se puder, agradeça à Vanessa também, viu?
-Por quê? 
-Porque se não fosse por ela, você não estaria aqui. -Ele fez uma pausa. -Apesar de tudo ela intercedeu à seu favor. 

Ouvi passos se aproximando da porta, então dei uma carreirinha para a porta do quarto de Daniel. Zac saiu primeiro, então fingi parar o que estava fazendo para encontrá-lo. 

-Vamos almoçar? -Eu sorri sugestivamente. 
-Vamos sim. -Ele piscou e me deu um beijo. 

Almoçamos todos muito felizes. Pela primeira vez via boa e meiga Starla que Zac tanto me contava. Ela era muito mais descontraída em seus momento família.  Ela me perguntou dez mil coisas sobre mim e sobre a gravidez. Fiquei impressionadíssima assim como Ashley. Foi um almoço muito agradavel na minha pequena cozinha. Depois todos se dirigiram para a sala, e eu fui lavar os pratos como uma boa dona de casa. Ela me parou e tomou o trabalho para si, então fiquei guardando as comidas na geladeira. 

-Me desculpe por tudo, Vanessa. -Ela soltou. 
-Nada, eu já havia perdoado. -Disse sorrindo. 
-Obrigada por tudo. E principalmente por fazê-lo feliz -Ela sorriu, pela primeira vez, sinceramente.
-Não é nada, na verdade é um prazer -Sorri de volta, puxando as bordas do vestido. 

Esperei-a terminar de lavar os pratos e fomos juntas para a sala. Eu podia sentir que esta semana seria milagrosa. Estava extasiada em como Deus fazia as coisas tão perfeitamente. "Ele é fiel e justo para nos perdoar" 1 João 1:9 A maior prova do perdão pra mim, era quando eu via as pessoas que eu mais magoei sorrirem pra mim. É meio estranho, mas parecia que apesar de tudo, elas viam que eu tinha mudado me deram outra chance. "Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância" João 10:10 Como não ver Deus, carregando o milagre da vida dentro de mim? Daniel não tinha nem 1 grama, e agora já tem quase três quilos! Ele tinha um centímetro e um dia terá mais de um metro! Tem coisa mais linda do que a possibilidade de ver meu filho crescer e pensar que um dia, ele era apenas um "pequeno passo" na relação. Me diz se isso não é perfeito? E melhor! Eu ia ter isso pra sempre. Com todas letras. 

No meio da semana, eu já estava achando a rotina de passeios exaustantes, mas não queria prender todo mundo em casa, ou impredir apenas uma pessoa de passear. Porque ficar sozinha foi cortado da lista antes mesmo de eu mencionar essa hipótese. Então o jeito era ir pro Hotel, ficar à beira da piscina, andar pelo shopping, ver os Museus, tirar foto com Angeline Joilie, essas coisas que fazem parte de todo cidadão de New York. 
Era uma manhã de quinta feira, e eu estava no quarto de Daniel, marcando mais um dia no calendário que ia da segunda-feira desta semana, até o sábado, que era o prazo para o meu filho querido nascer. E pelo o que eu estava vendo, só sábado mesmo. 

-Dois dias -Disse quando percebi que Zac entrara no quarto
-Relaxe, meu amor -Ele fez uma leve massagem no meu ombro. Fechei os olhos. Adorava as massagens dele 
-Eu fiz um calendário desse quando faltavam uma semana pro nosso casamento. Só que eu marquei o restante dos dias, antes do sábado com a mízera esperança que chegasse mais rápido -Ele riu de mim e me deu um beijo no rosto 
-Vai passar mais rápido do que você imagina. Logo logo você... 
-Ai, o Dan me chutou -Tinha sido realmente forte 
-Que agressividade -Ele também estranhou meu tom de voz, apesar de ter levado na brincadeira. 
-De novo -Peguei na minha barriga e senti-a contraída. Me lembrei da minha última consulta "Você só vai sentir umas dorzinhas leves, como chute de nenê. Mas se sentir a sua barriga contraída, dê uma passadinha no hospital"
-Acho que você pode riscar a sexta e o sábado do calendário -Eu estava parada, com a mão na barriga, nervosa. Muito nervosa. -Liga pro Robert, eu acho que é agora 

Ele errou umas dez vezes o número. Robert não estava no hospital que íamos de costume hoje, então precisávamos saber onde ele estava. Eu não estava morrendo que nem as grávidas da TV, tenho mais classe que elas. Estava muito bem, apenas sentindo os benditos dos "sintomas". Em cada passo que eu dava eu agradecia a Deus, mentalmente ou verbalmente. Fiquei encarregada de avisar às pessoas mais próximas, porque ele com certeza não conseguiria pronunciar uma palavra enquanto dirigia. 
Quando chegamos ao hospital, sem pressa nem correria. Eu não estava em Hollywood, então tudo era tranquilo e calmo. Depois do exame de dilatação, ele disse que ia me deixar internada porque previa poucas horas até o nascimento. No quarto, minha mãe estava sempre orando, só parava alguns minutos para beber água ou falar alguma coisa tipo "Deus te abençoe" comigo. Ashley estava tagarelando o tempo todo do meu lado, sobre sua experiência, e Scott diminuia algumas expressões que ela falava que ele tinha tido. No meio disso tudo, eu estava deitada na cama, apenas com poucas algumas dores, segurando a mão de Zac.

-Estou com medo -Falei mordendo o lábio logo em seguida 
-Eu também -Ele riu nervoso 
-Como ele deve ser? -Disse igual uma criança tenta imaginar o que vem depois do céu 
-Lindo igual a você, provavelmente 
-Na verdade, eu torcendo para que a genética apele pro seu lado -Nós dois rimos
-Bom, não prestei atenção nas minhas aulas de genética, então nem vai adiantar muito -Rimos outra vez. 

Senti uma dor bem mais forte. Zac chamou o médico e ele me encaminhou para a sala de cirurgia. Não gritei, não urrei de dor, nem me debati. Apenas fiz caretas e apertei mais forte a mão de Zac, porque a dor era simplesmente incrível. Claro, nem comparada ao que estava por vir. 
Enquanto Zac fazia todos os procedimentos para entrar na sala de cirurgia, Robert foi ver como estava a situação do bebê. 

-Acho que vem um garotão bem agitado por aí né... -Ele riu. -Você não tem muita opção, Vanessa. 
-Ele já está aprontando desde a barriga? -Ele riu. 
-Parece que sim. Pela forma que ele se enrrolou com o cordão umbilical, eu não quero arriscar um parto normal. 
-Você que sabe, doutor. Por tanto que eu não fique com cicatriz nenhuma... 
-Fica nada! Fiz uma pós em estética, Vanessa. Sou fraco não! -Nós dois rimos. 
-Então tudo bem, mas espera meu marido chegar pra me cedar... Pode? 
-Pode sim, ele já está vindo aí 

Ele explicou pra Zac que tipo de remédio ia usar e como ia ser o processo todo. Eu estava mais preocupada com as instruções da enfermeira. Enfim, me colocaram na cama de cirurgia, e meu coração deu uma acelerada linda. No monitor aparecia como normal. Acho que normal de pré-parto, só se for. 
Antes de me cedarem, enquanto eles faziam os últimos preparativos, tive um tempinho com Zac. Curto, mas foi o suficiente. 

-Não solta minha mão, mesmo que eu não sinta -Disse meio apavorada
-Não vou soltar, vou ficar aqui todo o tempo, te prometo, hm? 
-Não sei porque estou pensando nisso, mas... Se for meu último momento com você, eu quero que você nunca esqueça que eu te amo, ok? 
-Qué isso, meu amor. Não é último, sem pânico. E eu também lhe amo. 

Ele beijou forte a minha testa e depois os meus lábios. Algo me dizia que eram as suas últimas palavras e aquilo me assustava. A enfermeira nos atrapalhou, com uma injeção na mão. 

-Vamos lá, conte até dez, ok? 
-Uhum. Um, dois, três, quatro, cinco, s..sei...

Gradativamente meus olhos foram se fechando, a claridade foi se tornando uma macha, e logo depois tudo escureceu. Apenas um forte breu em meus olhos, na minha mente e em meus pensamentos. 

Quando acordei, demorou para tudo ficar normal e parado. Primeiro girava e eu só conseguia ver sombras borradas. Toda a minha barriga estava dolorida e tomei um susto ao perceber que o volume havia sumido. Foi então que lembrei-me que da última vez que estava acordada, Daniel estava prestes a nascer. 

-Daniel -Pronunciei meio grougue. 
-Ele está bem, meu amor. -A voz de Zac sempre alegre me trouxe completamente a realidade. Vários sorrisos no quarto do hospital me fizeram sorrir também. 
-Fiquei apagada por quanto tempo? -Perguntei com medo da resposta, porque Ashley e minha mãe estavam com outra roupa. 
-Oito horas. -Ele disse rindo.
-Nossa, em um noite eu não durmo isso, então acho que foi bom. -Eu ri lentamente. Estava me sentindo uma idiota. 
-Vai ter bastante tempo pra dormir enquanto se recupera -Ele me deu um beijo no rosto. -Você está bem? 
-Estou, bem melhor do que eu esperava na verdade. Onde está ele? Quero vê-lo! -Disse ansiosa e me mexi sem querer. A dor foi incrivelmente insuportável. Minha careta denunciou logo. 
-Já deve estar vindo, é lindo que nem você 
-Eu pedi tanto pra genética apelar pro seu lado poxa!
-Nhá, ele até parece um pouco comigo, segundo mainha, mas dorme igual a você 
-Estou ansiosa pra ver meu filho! -Apertei a mão dele mais forte. -Só eu que não vi ainda, poxa! 

Na mesma hora a enfermeira chegou com um bercinho de rodas e já de longe vi as mãozinhas dele mexendo, como se tentasse alcançar o teto. Ri expontâneamente, tentando me mover para chegar perto dele o mais rápido possível. A enfermeira saiu, e Zac o pegou no braço para trazê-lo para mim. Foi uma das cenas mais lindas que eu já tinha visto. Ele sorria pra Daniel tão cuidadosamente, tão amorozamente. As lágrimas começaram a cair daí. Mas eu chorei mesmo quando segurei ele nos braços pela primeira vez. Foi mágico. 
Zac colocou-o com cuidado no meu braço, e quando senti aquela pessoinha tão frágil, tão pequena, tão minha aconchegada e tranquila no meu braço, foi como ter certeza de que isso era tudo o que eu sempre quis. Ainda o pegava meio desajeitada, com medo de machucá-lo. Ele era tão pequenininho. Parecia ser de cristal, que a qualquer toque poderia quebrar. Os cabelos, poucos, mas escuros eram tão lisos quanto os de Zac. O nariz era dele sem sombra de dúvida, apesar de ele ter roubado a minha boca toda. Não sei com quem ele parecia, mas era lindo, lindo, lindo. Lindo, lindo, lindo, lindo, lindo. Eu não tinha palavras pra descrever aquele momento. Não existiam palavras eu acho. Ele agarrou meu dedo indicador com sua mãozinha, e me arrancava sorrisos cada vez que fazia algo novo, até mesmo quando começou a chorar. 

-Mãe, o que eu faço? -Fiquei apavorada vendo Daniel chorar. 
-Ou é fome, ou é fralda ou é manha. 
-E como eu faço pra saber? Pergunto? -Ironizei, riram de mim. 
-Não Vanessa, você tem que perceber o que é. -Starla falou. Daniel não parava de chorar. 
-Gente, ele acabou de nascer. Me dêem um crédito e ajudem, now!
-É mãe, vem logo, que eu já tô ficando nervoso -Eu e Zac estávamos angustiados vendo-o chorar. 

Starla aproximou-se e com cuidado foi me ensinando a detectar o que ele queria. Depois de checar a fralda e de muitos "xxxxxx, xxxxxx, mamãe tá aqui" descobrimos que era fome. Com a ajuda das duas vovós, eu fiz com que ele mamasse. Daniel era tão novo nisso como eu, então me senti aliviada. Foi a primeira coisa que ensinei ao meu filho: a comer. Sim, foi constrangedor e fez com que meu pai, Scott e David saíssem do quarto. Mas foi lindo. Na verdade a única palavra que eu conseguia pensar era: lindo. 
Quando ele terminou de mamar, Zac o colocou pra arrotar. Porque eu simplesmente não tinha essa capacidade ainda, meu corpo doía. Starla o ajudou na posição e eu fiquei apenas observando sorrindo enquanto falava com Ashley. 

-Olá, mamãe -Ela sorriu e eu a acompanhei 
-Eu estou nas núvens, já quero pegar ele no colo de novo 
-Daqui pra frente você vai começar a disputar isso com Zac -Rimos outra vez

Fiquei observando Zac brincar com Daniel, e mesmo reclamando Ashley me deixou curtir o momento. Era muito lindo ver ele nos braços de Zac e sentir a felicidade que pualava de seu sorriso. 
Fiquei durante uma semana no hospital até conseguir andar, abaixar, ficar sozinha em casa e amamentar Daniel. Foi muito bom sair do hospital com meu filho nos braços, muito bom mesmo. Ele dormia tão sereno que parecia que qualquer coisa poderia acondá-lo. Então mesmo com o barulho dos carros da rua, sussurrávamos.

-Passa essa semana com agente me casa? -Fiz biquinho
-Vou passar, meu amor. 
-Sério? *-* 
-Uhum, convenci o conselho. Fiz o maior drama -Ele sorriu e me deu um beijo rápido 

Eu sorri imaginando a cena que ele tinha feito. Quando chegamos em casa, entrar no quarto dele com ele nos braços foi incrível também. Era como se enfim o cômodo criasse vida. O coloquei no berço com cuidado e liguei a babá eletrônica, para que quando ele acordasse, ouvíssemos. Fomos para nosso quarto e quando deitei na cama, abraçada a Zac, senti o quanto hospital era cansativo. Nada como estar de volta ao lar. 

-Sou só eu que a ficha ainda não caiu direito? -Zac disse sorrindo
-Não. -Eu ri. -Nossa, eu tenho um filho! -Nós dois rimos. 
-Tô louco pra que ele cresça e eu ensine ele a jogar basquete
-Estou contando os dias pra ele falar "mamãe" 
-Depois de ele falar "papai", claro 
-"mamãe" primeiro, nem venha 
-É obvio que ele vai falar "papai" primeiro
-Vamos fazer uma aposta? 
-Certo, quando eu ganhar vou ganhar o que? -Pensei seriamente na questão
-Não sei, tudo o que é meu é teu, então tá difícil. E você o que vai me dar quando eu ganhar? 
-Vou te encher de beijos, pode ser? -Ele sorriu.
-Mas você já faz isso 
-Então eu paro, e só faço SE você ganhar
-Nada diso, nada disso! -Reivindiquei -Se eu ganhar você me enche de beijos e se você ganhar eu te encho de beijos, combinado?
-Combinadíssimo -Ele sorriu e me beijou

Continuamos trocando beijos, e mais beijos, e beijos, e mais um, e mais outro. Depois pegamos a câmera e tiramos as primeiras fotos dele no quarto, e no meio da sessão de fotos ele acordou, como se quisesse chorar. O peguei antes de ele abrir o vozeirão, e a primeira coisa que ele fez foi procurar pelo peito. Depois de quase secar todo o leite, ficamos "brincando" com ele até ele pegar no sono outra vez. Ele só comia e dormia, quase de duas em duas horas, e apesar de cansativo, aqueles momentos eram singulares.

Uma das lembranças mais incríveis, foi quando percebi que a genética havia apelado sim pro lado de Zac. Quanto mais Dan crescia, mais se tornava igual a Zac. A coisa mais marcante foi quando os olhos, se estabeleceram no azul forte e marcante que contrastava com os cabelos escuros. Primeiro eram cinzas, depois castanhos, passando pra um verde, até enfim se consolidarem num azul tão bonito que às vezes me perguntava se os olhos de Daniel não eram mais bonitos que o de Zac. Ele brincava que Dan estava roubando o charme dele. Com seus 4 meses, eu levava um susto a cada manhã quando os cabelos começaram a sumir. A pediatra me informou que era super normal, e que iriam voltar a crescer, me acalamando, claro. Uma das melhores partes era quando ele acordava à tarde. Cinco da manhã e ele já chorava loucamente, estressado e com raiva de tudo e de todos. Esse humor só melhorava depois que mamava, e piorava quando ele via Zac indo embora para trabalhar. Daí eu levava horas para retomar o bom humor dele, ele chorava muito quando via a porta se fechando. Zac me confessou algumas vezes que era a pior parte do dia pra ele. Até então eu não conhecia essa angústia, mas estava prestes a conhecer. 
Com quase 7 meses, tive que começar a adaptá-lo a comer papinhas também. Nice, a babá super simpática que haváimos contratado iria começar a vir semana que vem, quando eu começara a trabalhar também. Ela já ficava com ele há uns dois meses, para ele se adptar à ela, mas eu tinha medo do que ele ia pensar quando me visse passar pela porta e só voltar à noite. Só de pensar em deixá-lo em casa, longe de mim, já me dava um aperto no coração. Comecei a duvidar se seria pior pra ele ou para mim. 

-Filhinho, mamãe vai trabalhar tá? -Disse me abaixando enquanto ele brincava com cubinhos no chão de seu quarto acompanhado de Nice. Ele não reagiu bem, fechou a cara e me olhou duramente com os olhos azuis. -Mamãe pode ir, filho? -Nessas horas eu queria que ele falasse e me impedisse de ir, mas eu sabia que ele não entendia. Zac chegou, com a roupa de trabalho e quando ele o viu, começou a chorar. 
-Calma, filho. -Zac o pegou no colo, e ele se acalmou um pouco. Ainda soluçando. Que coisa horrível, pais e mães não deviam trabalhar. Isso é tortura com a criança, gente! -Papai e mamãe vai trabalhar. Dan vai ficar aqui com Nice! Eba! Vai brincar com a Nice, filho! -Zac estava mais acostumado com isso. Fazia uma cara super alegre, o que animava Dan também. -Tá bom? 

Incrível. Dan deitou a cabeça no ombro de Zac, ficou por alguns segundos e depois levantou, com um sorriso. Era como se sabe lá como, ele entendesse e disesse "tchau, papai. até de noite". Aí foi que o bicho pegou, ele me pediu colo e eu sabia que não podia dar, então Zac tentou mostrar pra ele que eu ia também. 

-Mamãe -Apontou pra mim. -vai com o papai. -Apontou pra ele mesmo. -E Dan vai ficar com Nice -Apontou pra Nice. 

Ele começou a chorar. Agarrou Zac, e não queria descer do braço dele de jeito nenhum. Foi todo um processo pra fazer ele ficar com Nice. Mesmo mandando beijos e enxugando as lágrimas dele, ele não parava e tentava me pegar com as mãozinhas. Fechei a porta e consegui ouvir o choro dele até entrar no elevador. Alí mesmo comecei a chorar e Zac me acalmou até chegarmos no carro. 
Meu coração ficou em casa. Eu contei dez vezes a mesma história pro pessoal da Popula, porque aquilo havia fixado na minha cabeça. Duarante a preira semana isso perdurou, mas com o tempo foi melhorando, até que com os meses, eu e Daniel começamos a nos acostumar com a saudade. 

A competição lá em casa só começou mesmo quando ele começou a falar os primeiros fonemas. Bábábá e tátátá eram as únicas coisas que saíam da boca dele, mas eu e Zac estimulávamos sem cessar o "mamãe" e o "papai". Zac falava que o tátá era de "tátái" mas eu não acreditava. Sempre falam "mamãe" primeiro. Não ia ser diferente agora. Já o estimulávamos a andar, e começamos a comprar DVD's educativos como Barney, Pocoyo, Backardiguns e todos os outros que são prache de criança. O que ele mais gostava era Barney e até eu sabia as músicas de cór. Mas foi somente com 11 meses que ele deu os primeiros passos. Tomamos um susto, pois, ele muito esperto acordou mais cedo e em vez de começar a falar coisas que não entendíamos, desceu do berço só Deus sabe como e foi caladinho para o nosso quarto. Quando o despertador tocou, ouvi a risadinha de trela dele do meu lado da cama. 

-Daniel! -Me assustei. Zac acordou sobressaltado prensando que algo tinha acontecido. Ele riu dagente. -Seu espertinho, já tá andando é?

Peguei ele no colo e ficamos boa parte da manhã de sábado na cama brincando com ele, que fazia questão de rodar pelo quarto e depois tentar subir na cama sozinho. Foi em uma dessas subidas que ele encerrou a nossa competição de "mamãe-papai".

-Mammmãe, mammmmãe -Ele disse pedindo a minha ajuda para subir. Nunca o ajudei com tanta satisfação. Ouvir aquelas palavras foram que nem ouvir música. 
-Owwwwwwwwwwwwwwwwwwn filho, mamãe ajuda sim, mamãe ajuda! -O peguei no colo e o enchi de beijos e cosquinhas o que o fez pular pro chão de novo. -Eu disse o que, amor?! Disse o que?! -Brinquei com Zac
-Que é isso Dan? Vai chamar papai, não? -Daniel sorriu meigo e esticou os braços pedindo para ir pro braço de Zac. -Falar "papai" que é bom, ele não chama. -Nós dois rimos, e mesmo sem entender muito, ele riu conosco. 

Em seu aniversário de um ano, resolvemos fazer algo diferente. Viajamos à Londres, e comemoramos lá, juntos com todos da nossa família. Foi uma festa! Desde o aeroporto, todos os carinhso e atenções foram para Daniel, afinal, eles não o viam desde recém-nascido. No dia da festa então, nem se fala! Dan não era nem um pouco tímido, falava com todo mundo e brincava com o primeiro que visse na frente. Agente só o via correndo de um lado pro outro, brincando com Serena e com alguns primos de segundo e terceiro grau por parte de Zac. 
Foi nessa festa que ele enfim mostrou que sabia sim falar "papai". Scott estava justamente contando a frustração das milhares de tentativas para fazer Serena pronunciar o nome, quando Daniel chegou suado, puxando a calça de Zac.

-Aua, papai! Aua, papai!

Zac quase que chora! Enquanto Daniel tomava a mamadeira inteira de água em seu colo, Zac o abraçava, mesmo Daniel estando em um estado de suor lamentável. Eram nesses momentos que eu entendia o quanto amor de pai e mãe é incondicional. Os filhos podem fazer as maiores besteiras do mundo, mas nós sempre os abraçávamos e os beijávamos, não importanto o quão "sujo" eles estivessem. Era muito mais fácil entender o amor que Deus sentia por mim e por minha família quando olhava para Daniel. Era algo fora dos padrões reais. 
Quando olhei a festa no geral, percebi o quanto a nossa família era unida. Coisas que eu jamais esperava que acontecessem, aconteceram de uma forma estrondosa. Starla me tratava como à uma filha; eu respeitava os meus pais; minha irmã tinha uma afeição para comigo; Dylan e Zac não se batiam; Ashley e Scott não brigavam loucamente e principalmente: eu conseguia dizer que Chace era o primeiro amigo da família que eu formara com Zac. E Daniel o adorou. Ficou com ele até ficar cansado demais para manter os olhos abertos e aquilo tudo tinha nome, era a paz. 

Mais um ano passou voando. Agora Daniel já estava na escolinha, e estava superando a falta que sentia dagente. Os dentinhos já preeenchiam toda a sua boca e seu cabelo era um liso ondulado preto que dava inveja. Os olhos redondos e azuis apenas eram uma das mil e uma semelhanças com Zac. Ele era a cópia lavada de Zac. Quem via, dizia "eu só sei que ele é teu filho, V, por causa da cor do cabelo". Minhas orações foram atendidas, amém! 
E, o meu eterno medo não se concretizou. O meu casamento continuava feliz, apesar de algumas brigas exageradas que havíamos tido neste ano. Mas como em todo casamento estável, tudo se revolveu e não dormíamos sem fazer as pazes. Era como se fosse uma meta nossa. Foi neste mesmo ano, que descobri que Daniel iria ganhar um irmãozinho. Ou irmãzinha, eu ainda não sabia ao certo. Só sabia que quanto mais os anos se passavam eu sabia que estava em plena felicidade, plena harmonia, mesmo quando as coisas não ficavam tão equilibradas assim. Eu sabia que sempre iria ter alguém pra por um sorriso no meu rosto, aquele alguém que Deus havia escolhido pra mim, pro resto da minha vida. Lembro-me de uma das poucas brigas em que consegui retomar o controle antes que ficássemos muito exaltados. Apesar de ser uma briga, uma discursão, foi uma das que mais nos ensinou. 

-Olhe pro teto. -Eu disse firme, para que ele prestasse atenção. Ele parou, respirou fundo e levantou o olhar. -O que você vê?
-O céu -Mais calmo e conciente de sobre o que eu falava.
-Por um segundo pensei que tinha esquecido disso
-Por um segundo, eu esqueci -Ele foi sincero. E isso não me magoou, por incrível que pareça. 
-Eu sei, porque eu conheço você. Acho melhor agente se acalmar e discutir isso mais tarde, pra esse "céu" não começar a se limitar 

Sem falar nada ele me abraçou. Nem lembro mais do que estávamos discutindo. Mas com certeza era algo muito pequeno em relação a imensidão do nosso amor. Ficamos ali por uns dois minutos, abraçados, sem proferir nenhuma palavra. Foi quando Dan abriu a porta com timidez

-Mamãe? -Ele perguntou, como se atrapalhasse algo.
-Oi, filho -Disse sorrindo, com os olhos brilhando de lágrimas que não desceram
-Em cá, papai -Ele chamou com a mãozinha pequena 

Quando estávamos os dois juntos, ele nos abraçou. Não sei, mas criança entende quando precisa ajudar. E aquilo me fez lembrar algo que ouvira na Igreja uma vez. "Filhos não são enfeites de família, são o fruto do amor dos pais" Naquele momento foi que eu entendi porque quando Zac o olhava lembrava de mim, e quando eu o olhava lembrava de Zac. Ele era o resultado do nosso amor, a maior prova de amor que Zac poderia me dar. Não me lembro de termos discutido sobre o tal motivo da briga mais tarde, nem no outro dia, nem nunca mais. 
Quando minha barriga começou a crescer, foi quando Daniel começou a tomar cuidado de mim. Ele se achava totalmente responsável pela irmãzinha, Rachel, que estava para vir. Cantava pra ela dormir, passava creme, alisava, conversava com ela. Ele tinha um amor imenso por ela. Rolavam alguns ciúmes, mas era coisa boba, ele mesmo se esquecia. 

O amor era o elo mais forte em nossa casa. Esse amor era o amor que tinha feito Deus mandar o seu único filho para morrer na cruz pelos meus pecados, o amor que tinha feito Zac me perdoar, o amor que havia nos unido para sempre, o mesmo amor que havia gerado Daniel e depois Rachel, e que os fazia ser unidos e carinhosos. E mesmo ultrapassando séculos e milênios, esse amor contagiava os nossos dias, as nossas noites, nossos amigos, colegas e familiares, provando para quem quisesse enxergar que o amor sempre fala mais alto. Na verdade, o amor grita mais alto do que tudo. Do que leis, tabus, preconceitos, maldições, traições, brigas, disputas ou dinheiro. Esse amor é o amor único, puro e incondicional que Deus nos dá.

Porque "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não é imprudente, não é orgulhoso. Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." 1 Coríntios 13: 4 - 7

Daqui pra frente, vou deixar em oculto toda a minha vida. Pois o que foi escrito aqui, é o suficiente para que aqueles que tem amor no coração. Xoxo, Vanessa Hudgens Efron

FIM

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Espero que tenham gostado de MAIO, e espero que tenham realmente parado para refletir e para compreender algumas questões abordadas ao longo da história. Queria agradecer a todos que acompanharam a história até o final e que se dispuseram a divulgar, a comentar e a ler sempre os capítulos. O Smark História só existe por causa de vocês, e tenho um carinho enorme por todos aqui. 

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Agora, é só esperar por Committed, porque ela já está vindo por aí. Afinal, o que você faria se arranjasse um emprego de esposa? 

Beijios s2

 

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