Capitulo 59

01/01/2002 00:25

Conforme os dias iam passando eu sentia que em algum momento eu ia botar o meu estômago pra fora. Eu não passava o dia vomitando, mas passava o dia passando mal. Quando me estressava muito, tudo rodava. O bom, era que as pessoas ficaram mais amáveis, justamente pra eu não desmaiar e não poder mais trabalhar. Adoro gente esperta.
Mas tudo isso sumiu com uns três meses. Que fui justo quando eu comecei a sentir o volume na blusa, a diferença nos seios e a sensação intrigante de ter alguém realmente dentro de mim. Com quatro meses, pudemos saber o sexo do bebê. Era muito legal ver ele se mexendo na ultrasonografia, isso me deixava muito ansiosa. Ver ele crescendo a cada mês, começando ter mãozinhas, pézinhos, era fantástico.

-Animados?
-Muito. -Eu e Zac respondemos em coro quando o doutor perguntou.
-Então vamos lá, já escolheram os nomes?
-Só se for um menino -Eu disse logo.
-Querem um menino?
-Sim. -Zac falou sorrindo.
-É estranho. Normalmente a mãe quer uma menina, não é?
-Pois é, mas eu quero um menino. Meninas são muito complicadas, já basta eu em casa -O médico ficou impressionado.

Ele colocou o gel e começou a olhar. Era involuntário, eu sorria quando via aquela coisinha tão pequenininha, que era tão importante pra mim. O doutor deixou agente curtir o curto momento de ver nosso filho tão tranquilo.

-Tiveram a sorte que ele não está virado.
-Ele, o bebê?
-Não, ele o filho de vocês. É um menino -O doutor sorriu
-Awwwwwwwwn! -Senti uma lágrima escorrer enqunto olhava aquele bebê tão pequenininho no monitor. 
-Nosso Daniel -Ele disse e me beijou. 

Nada foi tão incrível quanto sentir o primeiro chute. Com minha barriga super aparente de seis meses, em meio à uma reunião muito importante eu simplesmente comecei a sorrir comigo mesma. Foi tão extaseante que perdi o resto da reunião pensando nisso e procurando cada ponto que ele tocassse. 

-Não gostei da proposta da Candie's, o que você achou? -Jane me perguntou logo que acabou a reunião. 
-Que proposta? 
-Você estava na reunião, não é?
-Fisicamente. -Eu ri e ela me acompanhou sem entender. 
-Como assim? Você anotou dez mil coisas no papel
-Se você conseguir contar quantos "Daniel" eu escrevi, eu te pago um café. 

Deixei a prancheta com ela e saí para a minha sala, esperando que John tivesse anotado algo para me explicar. Porém quando cheguei na minha sala a primeira coisa que fiz foi interromper o meu marido no meio de uma reunião com a Audi. Ele não atendeu nas três primeiras vezes que liguei, depois mandei uma mensagem "É urgente" Liguei mais uma vez e ele atendeu. É, difícil colocar família em primeiro lugar, né?

-Oi, o que aconteceu? -Ele sussurrava. 
-Porque não me atendeu antes?
-Estou com o pessoal da Audi, o que aconteceu?! 
-Daniel mexeu. -Eu sorri entusiasmada. 
-Não acredito que me disse que era urgente, pensei que tava sentindo alguma coisa! 
-E eu não acredito que escutei isso. -Fiquei completamente desapontada e desliguei o telefone.

Todos os meus colegas ficaram me olhando sugestivamente, mas eu continuei calada, lendo o relatório da reunião de John. Algo dentro de mim ainda esperava que ele ligasse, mas ele não ligou. Acho que Daniel percebeu minha ansiedade e me cutucou a tarde inteira. Quando saí da Popula às 6h, tive a impressão de que iria discutir com meu marido, então voltei e fiquei até às 8h. Enfim, o telefone tocou. 

-Onde você está?!
-Trabalhando. 
-Já deveria estar em casa, está tudo bem?
-Ótimamente bem, querido. -Disse falsamente. 
-O que houve? 
-Quer que eu diga o significado de bem?
-Venha pra casa, ok? 
-Não, estou trabalhando. 
-Já são 8 da noite, você está grávida, e provavelmente vai voltar de táxi, sozinha. Venha
-Você não lembrou disso quando os mercenários da Audi estavam aí. Boa noite, querido. 

Desliguei o telefone um pouco estressada, o que fez Daniel me chutar. John me olhou cansado, vendo minha birra, enquanto o celular rodopiava na mesa vibrando, com o nome Zac na frente.

-Você devia ir pra casa. 
-Não vou, que coisa. 
-Mas devia. Ele deve estar preocupado
-Ele já sabe que eu estou bem, na verdade "ótima"
-Vão acabar tendo uma briga maior depois, eu termino aqui
-Ele não vai brigar muito com uma mulher grávida de 6 meses do filho dele, ainda tenho 3 meses pra usar essa carta, John
-Não quando o motivo é ela

Eu realmente pensei nisso. Me lembrei que eu era casada, e que tinha 24 anos. Lembrei que era uma adulta e que não dava mais pra ficar fazendo joguinhos. Peguei minha bolsa e o celular que ainda vibrava.

-Boa noite, John. 

Ele apenas sorriu e eu atendi o telefone no meio do caminho. Deixei ele gritar o quanto queria gritar. Eu sabia que estava errada e iria falar assim que ele deixasse. "Ai Daniel, seu pai é muito, muito chato", pensei. 

-Posso falar? -Perguntei.
-Pode. -Ele disse ainda nervoso. 
-Me desculpe. Eu sei que passei dos limites. Deveria estar em casa mais cedo, como tínhamos combinado. Mas é que eu fiquei muito frustrada na hora do almoço, entende? E não estava afim de discutir com você. Me perdoa, fui infantil. 
-Muito. -Ele jogou sua última gota de raiva nas palavras. 
-Estou indo pra casa, te amo. 
-Eu estou em frente a Popula -Ele riu
-Até mais -Desliguei rindo

Passei pelas três portas até chegar à rua. Muitas buzinas cessaram quando viram a minha barriga entrar no carro que atrapalhava metade do transito de Manhattan. Entrei rindo e joguei a bolsa no banco de trás, como de costume depois que a barriga cresceu. 

-Me desculpe por não lhe dar atenção na hora do almoço, eu estava... estressado. -Ele fez uma pausa e sorriu. -Muito estressado.
-Já disse que fui infantil, nem se culpe. 
-Tudo bem, então estamos acertados? -Ele aproximou o rosto sugestivamente enquanto o sinal abria e fechava dez vezes, mas ninguém andava. 
-Uhum. -Nos beijamos, mas pouco tempo depois parei-o rindo comigo mesma. 
-O que foi? Agente não vai andar, mesmo o sinal estando verde -Ele riu, mas não entendeu porque parei
-Não é isso. -Eu sorri. Peguei na minha barriga. -Acho que alguém está com ciúme. -Nós dois rimos e senti Daniel parar de me chutar. 
-Você sente direitinho? -Ele perguntou. 
-Principalmente quando chuta. -Eu sorri. -Quer tocar? -Paramos em mais um sinal vermelho e anida faltava passarmos por dois para chegarmos em casa. 
-Uhum. 

Foi incrível sentir que Daniel já reconhecia Zac. A forma como ele mexia, como se quisesse pegar na mão de Zac, como soubesse que ele era seu pai. Apesar de estarmos entre as buzinas e a multidão de carros da Madison Ave, aquele momento foi especial. Não só pra ele, mas também pra mim. Foi a primeira vez que eu senti a palavra família soar tão concreta. 
Chegamos em casa quase dez e meia da noite, nós três estávamos com fome. Zac fez uma macarronada e eu comi quase o dobro do que comia normalmente, isso quer dizer o triplo do que eu comia antes da gravidez. Certo, eu estava comendo muito, mas o médico dizia que eu não estava passando do limite, apenas estava vivendo como uma mulher grávida. Isso soava bem para a minha conciência, mas nem um pouco bem pra balança.

-Sabe um botijão? Eu vou virar um se você fizer comidas MUITO gordurosas, sério. -Ele riu de mim enquanto colocava os pratos na pia.
-Se eu fizer menos, você fica morrendo de fome aí. Prefiro você gorda do que anorexa -Me levantei pra lavar os pratos enquanto dava um sorriso de sarcásmo
-Não tem graça, prefiro anorexa, tá? -Ele riu debochando de mim enquanto guardava as coisas na geladeira.
-Não entendo porque vocês, mulheres, tem tanto problema com isso -Ele parou ao lado da mesa me observando enxaguar os primeiros pratos
-Como se vocês, homens, não tivessem -Disse.
-Eu tô dois quilos acima do meu peso e não estou morrendo, nem dizendo que vouvirar um botijão
-Meu amor, esses seus dois quilinhos de nada eu ganhei SÓ no peito, ok? Não interessa o número do resto -Ele deu uma gargalhada.

Eu enxuguei minha mão no pano de prato e me virei para it tomar banho. No portal que dava para a sala ele me parou com o braço. Aproximou o rosto sugestivamente e sorrindo eu o beijei. Depois ele liberou minha passagem e foi pra TV rindo.
Era estranho me ver com uma bola no lugar de minha barriga sequinha. Eu ainda não me acostumara direito, mas gostava da situação. Depois do banho, fiquei analisando minha barriga, e principalmente olhando-a de ponta a ponta, procurando estrias. Ah, as malditas estrias. Eu estava usando dois cremes para evitá-las, um para a noite e o outro para o dia, e pareciam funcionar. Nenhuma nova amiguinha quis aparecer, ou melhor, ousou aparecer. Saí do banheiro de toalha e troquei de roupa no quarto. Zac já estava na cama, e ficou me observando trocar de roupa. 

-Você é linda
-Obrigada -Eu sorri, terminei de pôr a blusa, liguei o ar-condicionado e me arrastei pela cama até os braços dele. 
-Acho que meu scarppins vão ficar com morfo a partir de hoje. -Nós sorrimos
-É bom saber que tudo isso não te mudou -Não entendi. 
-Como assim? 
-Quando você falou sobre preço, há uns meses atrás. -Aí foi que eu realmente lembrei. -Passei noites e noites pensando nisso, e fiquei com medo de que você mudasse quem você era. Chata, irritante e totalmente especial. -Eu ri, com receio do resto da frase. -Mas você não mudou. Você continua Vanessa, e por incrível que pareça, você melhorou. Como o perfeito melhora, me conta? -Ele me beijou suavemente. 
-Eu só mudaria se eu quisesse, e não se mexe em time que está ganhando, não é? -O beijei de verdade.

Juntos abraçados àquela cama, em uma quinta-feira à noite. Ainda brincamos um pouco com Daniel, mas ele foi parando de mexer aos poucos e creio que dormiu. 
Zac dormiu antes de mim. Deitado próximo ao meu pescoço, enquanto eu alisava seu cabelo. Fiquei pensando nas palavras dele e fiquei orgulhosa de mim mesma. O apertei mais um pouco contra meu corpo e beijei seu cabelo. Eu gostava tanto de cuidar dele. De fazer o jantar, de andar de mãos dadas, de saber se tá doente, de cronometrar as horas do remédio quando estava, de ouvir sobre o dia, de rir sobre o trabalho. Aquilo tudo me deixava tão confortável quanto estar grávida dele. Duas coisas que eu jamais achei que tivesse jeito: ser esposa e ser mãe. E agora eu começava a ver que gostava mais delas duas do que dos meus sapatos da Chanel, e eu trocaria os meus três pares por isso fácil fácil. Olhar pra ele e para "Daniel" era como saber que eu tinha tudo. Na verdade tudo o que precisava de verdade. 

--x--

Como prometido, capítulo postado. Espero que gostem (: Comentem, comentem, comente. Próximo capítulo, com no mínimo 10 comentários, porque é o último de MAIO. 
Estou MUITO grata pelos comentários, eu realmente amei. Espero que continuem atenciosos assim *-*

Peço para que continuem seguindo e particiapndo no Twitter Oficial do Site, e que entrem e participem da comunidade porque tem uma "promoção" de Committed rolando lá e ninguém participou, kakakakakkaa. 

E... será que Daniel poderá conhecer seus pais, ou será que Starla vai dar uma atrapalhadinha? Hmmm, descubram no ÚTLIMO CAPÍTULO de MAIO - Uma mulher, dois amores. 

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