Capitulo 45.

28/09/2010 10:29

Perdi a hora. Cheguei em casa de quatro da manhã, fui dormir de quase cinco. Quando abri meus olhos já eram oito horas! Pulei da cama, e fui escovar os dentes e pelo menos arrumar o cabelo porque o camapinha já tocava.

-Oi, hehe. -Falei sem jeito e deixei ele entrar.
-Eu sabia que você ia se atrasar, por isso marquei de oito.
-Ridículo.

Ele sentou no sofá e analizou a casa, fazia muito tempo que ele não botava o pé perto dela.

-Bom, eu vou trocar de roupa. -Tentei sair rápido pra ele não perceber que eu estava com uma das blusas dele que ficaram aqui em casa.
-Peraí, que blusa é essa? -Eu parei no meio do caminho e depois virei rindo.
-Uma das três que eu não vou devolver. -Falei envergonhada $:
-Você não falou que tava com a minha blusa dos Beattles, ou você acha mesmo que eu ia deixar? -Ele falou rindo.
-Bom, eu estou muuuuuuito atrasada, né? -Eu ri, e mandei um beijo no ar.

Lá em cima, depois de tomar banho, peguei o vestido florido que ele me dera antes de eu viajar para NYC. Era lindo: de alças fininhas do pano do vestido, sem decote, e um pouco acima do joelho, bem alternativo. E ainda veio com um sinto branco pra botar na cintura, eu era apaixonada por aquele vestido. Peguei meu casaquinho branco de malha fina e coloquei uma bolsa branca estufadinha. Pus uma sandália beje-florida rasteira, e pronto estava me sentindo ótima. Espalhei Pink Sugar pelo quarto inteiro, cheirava a flores.
Usei pouca maquiagem. Um pouco de corretivo nas olheiras, um pouco de pó e um blush rosado apenas para corar minha bochecha. Reforcei no rímel e não coloquei lápis, pus um batom cor da pele e um gloss rosa claríssimo. Meu cabelo estava molhado, mas antes de sair vi uma tiara rosa bebê, com um laço do lado. Resolvi pegar para incrementar o visual, afinal eu estava me arrumando pra ele, qualquer coisa a mais que o fizesse me olhar de cima a baixo eu colocaria! Ops, 9 horas!

-Desculpe a demora. $: -Me derreti quando ele me olhou de cima a baixo.
-Está linda! -Ele sorriu, sem jeito.
-Obrigada $: E me desculpa, você podia já estar na faculdade... -Fiquei me sentindo péssima.
-Que nada, na verdade eu só esperava chegar na faculdade umas 10h. -Ele sorriu. -Quer tomar café comigo? -Eu sorri não acreditando que tudo já estava planejado.
-Vou roubar dinheiro da minha mãe, dois segundos. -Rimos os dois.
-Não precisa, dessa vez eu pago com MEU cartão. -Rimos mais ainda.

Ele foi super cavalheiro, e eu me sentia como nos primeiros encontros. Você voa e não pergunta a hora de cair na realidade. A única diferença é que eu já havia passado por isso com ele, e sabia que ele estava jogando todo o charme dele, parecia querer me conquistar.

-Tá tão linda. -Ele me olhou sinceramente.
-Você já disse isso. -Ele riu e eu sorri e olhei pra mesa.
-Já usei todo o meu repertório, e agora? -Ele indagou. Eu sorri envergonhada. -Linda nada... Você é indescritível!
-Não disse que tinha usado todo o repertório? -Sorri.
-Boba. -Ele sorriu.

Ele deslizou a mão no meu rosto e o acariciou com o polegar. Estávamos na bancada do parque, aquele mesmo onde eu encontrei Rose. Ou ela me encontrou, enfim... estávamos ali. Tão próximos, eu sentia como se um imã me puxasse pra ele, era incrível. E ele sorria e acariciava meu rosto de uma forma tão suave que até parecia que nos aproximávamos a cada minuto. Será que só parecia?

-Eu não sei como, mas eu me sinto tão bem perto de você. -Ele confessou, nervoso. O rosto dele estava a dois dedos do meu.
-Você me ama? -Disse enquanto variava meus olhares entre sua boca e seus olhos.
-Se não pensar em nada além de você, se não saber o que dizer mesmo ensaiando a noite toda no espelho, se passar horas olhando sua foto do lado da minha cama, se estar sentindo meu coração bater mais forte toda vez que sinto teu cheiro, se estar completamente louco pra te beijar agora, se isso tudo é amor. Eu te amo, sou completamente apaixonado por você!

Ele falou tudo isso aos sussurros, também alternando olhares entre a minha boca e meus olhos. Eu sentia meu coração querer rasgar o peito pra encontrá-lo. Perdi o fôlego com as palavras dele, e o resto do ar quando ele me beijou.
Eu senti várias coisas reviverem dentro de mim. Foi aí que eu lembrei da minha infância, da Disney, enfim eu sentia o que diziam em todos os filmes: "Nada é mais poderoso do que o beijo de amor verdadeiro." Eu não me sentia completa, era firme sozinha. Mas me sentia completamente realizada.
Quando ele me olhou nos olhos, podia ver que aquele oceano azul que antes permanecia indomável e feroz, se acalmara e virava um céu límpido e puro.
Não conversamos sobre o acontecido, o silêncio suvae reinou e ficamos por sorrisos e olhares. Quando chegamos a faculdade foi cada um pro seu Bloco e ficou tudo certo! Ok, nem tão certo assim. Eu estava muito confusa, o que signifcara aquele beijo? Será que eu estava voando demais, ou ele queria voltar? Guardei minha dúvida pro final da aula.

-Scott, viu o Zac?
-Ele foi na cantina comprar água. Vai lá chamar ele, que aí agente vai pro Hospital juntos.
-Certo, volto já.

Fui andando calmamente para a cantina. Era longe, atravessava o jardim, a fonte e só então via-se a enorme janela de vidro que deixava exposta as mesas e cadeiras da lanchonete. Virei a esquerda para entrar na porta de vidro. Parei em uma mesa para falar com Jéssica, até que ela exclamou.

-OH MY GOSH! -Ela colocou a mão na boca e olhou pro balcão.

Assim que virei senti como se dessem um tiro no meu coração. Um tiro não, uma facada. Betty e Zac estavam se beijando. Sim, acho que eu voei demais. Virei de novo para Jéssica, e lágrimas desceram pelo meu rosto. Eu cambaleei, senti tudo rodar.

-Vanessa! -Ela gritou e segurou meu braço.

Assim que ouvi passos vindo do balcão, saí correndo. Sim, fugi. Fugi igual a uma criança quando quer fugir de algo que a deixa triste. Senti que alguém me seguia, mas não perdi meu tempo pra olhar pra tráz. Talvez eu estivesse me enganado que um dia eu poderia voltar ao passado, mas é como dizem... ele sempre tem um motivo para não estar no teu presente.
Passei pelo portão da faculdade e atravessei a rua sem olhar. Buzinas e mais buzinas brigavam comigo, me faziam sentir o mais idiota possível. Empurrava as pessoas que me gritavam coisas horríveis, e aos poucos senti os pingos do que seria um temporal. Corri mais um pouco, afim de chegar pelo menos no metrô. Ainda ouvia passos apressados, ou era minha paranóia misturada com o desejo de um final feliz para o meu conto de terror?
Enfim, já diminuindo a velocidade cheguei ao jardim da praça mais próxima ao metrô. Eu achava aquele lugar lindo. Tinha um lago com uma ponte, era só atravessá-la, andar um pouco que se saía da praça e chegava no metrô. Ainda ouvia os passos, cada vez mais próximos, até que eles me encontraram, exatamente no meio da ponte.

-Não foi nada daquilo que você viu! -Ele me garantiu enquanto a chuva e o cansaso deixavam sua voz mais conturbada.
-Na verdade, não foi nada daquilo que eu pensei hoje de manhã! -Minhas lágrimas se misturavam com a chuva, mas ele parecia ver todas elas. -Você é solteiro, pode beijar quantas garotas quiser! Não precisa vir aqui se desculpar ou implorar por meu perdão!
-EU posso estar solteiro, mas meu coração sempre esteve comprometido com o seu! Será que você não percebe o quanto eu te amo? Eu passei por cima de todos os meus conceitos por você, e ainda acha que tocaria em outra mulher?! -A chuva aumentava.

Eu comecei a chorar desesperadamente e deitei meu rosto no peito dele. Ele me abraçou, e eu o agarrei com força, começando a perceber que ele tinha um pouco mais de caráter do que eu.

-Desculpa, eu agi sem pensar... -Balbuciei.
-Calma, eu tô aqui. Vou sempre estar aqui, só com você. -Ele me olhou fundo nos olhos. -Agora vamos aqui pra essa árvore que vou ligar prum táxi.

Corremos e ficamos abraçados até o táxi chegar. Quando chegamos na faculdade Scott nos esperava na porta com uma cara DESSE TAMANHO.

-Muito bonito, né? -Ele deu a bolsa de Zac pra ele.
-Falou o que eu pedi?
-Falei, ela tá chorando lá com Samantha.
-Problema dela... Vamos pro Hospital?

Fomos. Fiquei o caminho todo querendo saber o que ele tinha falado pra Betty, porque que era pra ela eu tinha certeza. Assim que chegamos no quarto do Hospital, Ashley nos recebeu com um sorriso. Isso foi reconfortante.

-Estavam brincando de água de novo? -Ela me abraçou com minha roupa meio umida.
-Não, dessa vez eu corri atraz dela até o metrô mesmo. -Zac usou tom de brincaderia e ela acreditou ser brincadeira.

Ash, esperta, percebeu que estávamos de mãos entrelaçadas. Me puxou pro lado do guarda-roupa enquanto os meninos falavam com Jenffer.

-Eu vi, viu.
-Viu, o que heim? -Me fiz de sonsa.
-A mão de vocês... Não falta me contar nada não?
-Não tem nada oficial, então ele é meu novo boysinho! -Rimos
-Novo não né, porque esse aí você já conhece da cabeça aos pés, de cor e salteado! Já traçou tudo! -Nós gargalhamos e chamamos a atenção de todos.
-Do que estão rindo aí? -Zac perguntou logo.
-Do quanto a Vanessa é engraçada. -Ash respondeu.
-E aí, como vai dona moça? -Perguntei a Jenny.
-Parece que não vou mais andar, né. -Ela falou muito, muito desanimada.
-Não precisa andar pra expor e pintar aqueles quadros lindos que você deixa guradados no porão, né? -Disse e ela sorriu pra mim.
-Acho que vou dedicar minha vida á isso. -Vi o primeiro sorriso verdadeiro dela brotar.

Ficamos lá por muito tempo. Depois Zac foi me deixar no trabalho e resolvemos comer no restuarante da Popula, comentários mais que a mil. Congelei quando entrei, mas coloquei meu casaco - a única roupa que sobreviveu enxuta.

-O que Ashley tava falando com você? -Curioso até a morte ele, vij.
-Ox, ox, ox, ox. Nada de mais, coisa dagente.
-Hm... Tenho medo dessas coisas de vocês.
-Não tenha, somos tão inocentes!
-É pra rir mesmo, vocês duas são tão inocentes como eu sou gay.
-OMG, não me diga! Poxa, porque trocasse de lado, era tão bom antes...

Ele deu língua pra mim e voltamos a almoçar. Depois fui levá-lo até o carro, afinal ele se atrasara por minha culpa.

-Eu te amo. -Disse.
-Também, demais. -Ele sorriu. -Vai sair hoje de noite?
-Não, nem com o cobrador! -Ele riu de mim.
-Então se arrume, quero te levar em um lugar...
-Onde?
-Surpresa, mas não é nada muito chique não...
-Tudo bem, estarei ansiosa heim. -Sorri.
-Eu muito mais. -Ele me olhou nos olhos.

Como um cavalheiro, me puxou pela cintura de leve e me deu um beijo. Aqueles que você suspira e passa duas horas pensando em como foi. Depois entrou no carro com o sorriso de quem havia ganhado na loteria e partiu. Assim que me virei, vi pelos vidros dez mil pessoas vendo o acontecido. AI, QUE POVO CURIOSO!

--x--

O que acaharam? E aí, vocês acham que Zac vai levar ela onde? O que vai acontecer? Bom, só vão saber no próximo capítuo, mas vale a pena ir arriscando! *-* Bom, quem ainda não me segue no twiteer: @rutecmuniz E quem ainda não conhece o blog, aqui: http://palavrasjust.blogspot.com
Queria avisar que fiz um Tumblr. Quem quiser dar uma olhada, me seguir e divulgar eu agradeço: http://picturesay.tumblr.com

Beijos s2

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